Em Icalma, uma remota aldeia de montanha na região da Araucanía, no Chile, a comunidade Mapuche-Pehuenche, uma comunidade indígena do Chile, está a transformar trilhos ancestrais em rotas de BTT, uma experiência única de ciclismo ancestral oferecida por operadores turísticos locais em parceria com comunidades indígenas, combinando aventura com a preservação da sua terra sagrada.
Sob um imponente dossel de antigas árvores da Araucanía, Victor Abarzua e Aldo Torres colocam os capacetes e montam nas suas bicicletas.
Enquanto deslizam pelo trilho secular, a luz do sol filtra-se pela floresta, projetando as suas silhuetas num raio de luz dourado. Cada curva e contracurva do passeio parece mágica. Pois esta floresta não é apenas um caminho para ser percorrido; é uma história viva, com as suas raízes entrelaçadas com as histórias do povo Mapuche e a sabedoria sagrada do passado.
À medida que os seus pneus sulcam a terra, uma nuvem de pó eleva-se como fumo, flutuando em direção ao topo das árvores. A adrenalina percorre-os, mas também um profundo sentimento de reverência. Aqui, o BTT torna-se mais do que um desporto: é um ritual, uma celebração que une o passado e o futuro e cria uma ligação entre o homem e a natureza.
Por Nicole Melancon, GLP Films
Icalma: Um cenário remoto e sagrado
A menos de 135 quilómetros a leste de Temuco, Icalma é um lugar onde a terra permanece selvagem, bruta e aparentemente intocada pelo tempo. Aqui, na remota região da Araucanía, no Chile, perto da fronteira com a Argentina, a comunidade indígena Mapuche-Pehuenche está a reimaginar o turismo sustentável. Em Icalma – uma terra sagrada e montanhosa rica em Araucárias e antigas paisagens glaciares – os habitantes locais estão a transformar caminhos ancestrais em trilhos de BTT, combinando aventura com a preservação cultural.
Construindo confiança: Uma parceria única evolui

Nos últimos dez anos, Victor Abarzua tem trabalhado com a comunidade indígena Mapuche para transformar Icalma, uma região relativamente remota e desconhecida do Chile, num destino de turismo sustentável que oferece o BTT como principal motor. Desiludido com a vida na cidade, Victor foi para Icalma para construir uma vida enraizada na natureza. Em 2014, estabeleceu o Icalma Lodge e começou lentamente a explorar a região de bicicleta. Durante os seus passeios, fez amizade com Don Julio, um ancião Mapuche cuja confiança permitiu a Victor mapear trilhos ao longo de rotas ancestrais que eram tradicionalmente utilizadas para a agricultura. Victor também fez amizade com Aldo Torres, um estudante local de direito ambiental Mapuche e ávido praticante de BTT, que agora se juntou à iniciativa para desenvolver de forma responsável o turismo sustentável em Icalma, garantindo que este se alinha com as necessidades da visão do mundo das comunidades Mapuche.
Percorrendo os trilhos ancestrais
“Vimos imediatamente que Icalma tinha um potencial incrível para o BTT – a paisagem parecia ter sido feita para isso”, disse Victor. Os trilhos existentes, muitos deles antigos e tecidos através de densas florestas de Araucárias, prados abertos e ao longo de margens de lagos imaculados, ofereciam uma rede pronta a usar que não exigia nenhuma nova perturbação ambiental. O terreno é naturalmente adequado para o ciclismo: as florestas são fáceis de navegar, os trilhos são abundantes e o solo único e de drenagem rápida proporciona uma excelente aderência sem se transformar em lama. Esta combinação de paisagens diversificadas e condições ideais transforma cada passeio numa experiência mais profunda de exploração e ligação com a natureza.
“Adoro sentir a terra, ouvir os sons e sentir a tranquilidade do vento quando chego ao topo da montanha e me maravilho com as vistas sensacionais. Há uma calma e paz instantâneas, até descer, passando por antigas florestas sagradas e vistas do Lago Icalma. Depois, sou preenchido com uma onda mágica de adrenalina”, diz Aldo.
Desenvolvendo o turismo sustentável de forma responsável

O esforço é mais do que um desporto – é um movimento. O turismo, se for feito de forma responsável, pode trazer oportunidades económicas, capacitar os jovens e as mulheres e apoiar a preservação cultural e ecológica. Os habitantes locais, como Matilde Domihual e a sua filha, proprietárias de um pequeno restaurante Mapuche chamado Ruka-Mahuida, contribuem oferecendo refeições tradicionais feitas de pinhões (pinhões das árvores da Araucanía) aos ciclistas. A iniciativa também beneficia as crianças locais, introduzindo-as ao ciclismo e à sustentabilidade.”
À medida que Icalma se abre aos viajantes, os Mapuche-Pehuenche imaginam um futuro onde o turismo sustentável honra e protege a sua terra sagrada. “Queremos visitantes que venham não apenas para andar de bicicleta”, diz Victor, “mas para se ligarem – profundamente – ao espírito deste lugar e às pessoas que o protegeram durante gerações.”
Inspire-se para ir
Em parceria com as comunidades locais, os operadores turísticos estão a oferecer viagens/roteiros de vários dias a Icalma para experimentar o BTT ao longo destes trilhos ancestrais sagrados. Siga Victor e Aldo enquanto andam de bicicleta pelos trilhos antigos e testemunhe a magia com “Chile Journeys”, um novo documentário da Chile Travel.