Data de criação: 30 de setembro, 2026
Equipo Chile Travel

Por trás do deslumbrante espetáculo visual que cobre de flores o solo árido do norte chileno, conhecido como Deserto Florido, existe um exército noturno e silencioso de mamíferos a trabalhar para manter vivo este ecossistema único.

Um estudo inédito revelado pelo fotógrafo e investigador independente Bernardo Segura, juntamente com o cientista Jaime Martínez (INIA) em conversa com Chile es Tuyo, registou pela primeira vez no Chile mamíferos como roedores, marsupiais e raposas a desempenhar um papel fundamental na polinização de flores emblemáticas do Deserto Florido como a garra de leão (Bomarea ovallei).

Mamíferos estão a polinizar o Deserto Florido

Quando os visitantes percorrem o Deserto Florido durante o dia, costumam observar abelhas, borboletas e beija-flores. No entanto, a verdadeira ação para várias espécies nativas ocorre na escuridão.

Armado com câmaras de armadilha e uma intuição ecológica, Segura decidiu monitorizar a garra de leão, uma flor rasteira emblemática e em perigo de extinção que habita unicamente na faixa costeira da Região de Atacama.

Os resultados não se fizeram esperar: as câmaras captaram o momento exato em que pequenos animais introduzem o focinho nas flores para se alimentarem do néctar, transportando o pólen de uma planta para outra.

“Deixou-me de boca aberta que isto não tivesse sido descoberto antes. Que animais como ratos ou marsupiais estejam a polinizar uma flor tão emblemática é algo que nunca tinha sido registado no Chile“, destaca Bernardo Segura.

Fotografia de Bernardo Segura.

Os insólitos polinizadores da noite

O estudo, que se prepara para ser publicado numa revista científica especializada, conseguiu identificar diversos protagonistas deste processo ecológico:

  • Rato-orelhudo-de-Darwin e Rato-oliváceo: Pequenos roedores nativos com um papel protagonista na visita constante às flores da garra de leão.
  • A Yaca: Um marsupial endémico que vive exclusivamente no Chile e que se junta à lista de mamíferos polinizadores.
  • Aves e répteis: Beija-flores do norte, yales e até répteis que interagem ativamente com a flora desértica.

A descoberta já se estendeu a outras espécies vegetais, como a Caiophora coronata (urtiguinha) na alta cordilheira, demonstrando que a polinização por mamíferos é um fenómeno muito mais generalizado no país do que se pensava.

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Um apelo para proteger um fenómeno histórico

O Deserto Florido 2026 perfila-se como um evento histórico graças às precipitações causadas pelo fenómeno de El Niño, com florações que poderão estender-se até ao final do ano.

Perante este cenário, os investigadores fazem um fervoroso apelo aos visitantes para cuidarem deste frágil ecossistema: não cortar espécies raras como a garra de leão e manter o respeito pela fauna nativa que garante a continuidade deste espetáculo natural.

Veja a entrevista completa fazendo clique aqui.

Mamífero a polinizar o deserto florido

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